Segurança Transfusional – o que é e para que serve

Bolsas de sangue e esquema para Segurança Transfusional.

Segurança Transfusional – o que é e para que serve

Uma das maiores preocupações de quem recebe uma transfusão de sangue está relacionada aos riscos de contrair alguma doença devido ao procedimento. Esse receio é uma herança de décadas de práticas inseguras, mas que começaram a ser contornadas no início dos anos 1990. Hoje, segurança transfusional é levada a sério, com padrões cada vez mais rigorosos.

Neste pequeno texto, vamos tentar esclarecer alguns detalhes de como funcionam as medidas adotadas para garantir a segurança de quem precisa ser submetido a uma transfusão de sangue.

 

O que é segurança transfusional?

De forma resumida, segurança transfusional é um agrupamento de atividades técnicas baseadas em orientações, e cujo funcionamento é bastante complexo. Ela exige empenho e capacitação dos profissionais envolvidos em todas as etapas, inclusive das que antecedem a transfusão em si.

É através da aplicação destas técnicas que se minimiza a possibilidade de riscos à saúde do paciente transfundido, seja de forma imediata ou tardia. Elas são observadas desde a coleta de amostra do sangue para análise até o transporte e condicionamento dos hemocomponentes.

 

Primeiras etapas

Após a captação de doadores, são realizadas entrevistas cujo objetivo é a verificação dos requisitos e impedimentos para a doação. Caso a doação seja autorizada pelos profissionais que realizam esta checagem, é iniciado o processo de coleta. A área da punção é degerminada e desinfectada, e, então, coleta-se o sangue em bolsas estéreis e descartáveis. Elas são mantidas sob rigorosos padrões de armazenamento até que sua utilização seja necessária.

Este sangue coletado passa por uma série de análises laboratoriais, cujos principais exames realizados incluem: tipagem ABO e grupo Rh; triagem para HIV, Hepatite C e B; teste para Vírus Linfotrópico da Cécula Humana (HTLV); doença de Chagas e sífilis; Teste de ácido nucleico (NAT) para HIV e HCV.

Caso alguma amostra de sangue dê resultado positivo para um destes testes, os órgãos responsáveis entram em contato com o doador, para que este possa realizar novamente os exames e confirmar, ou não, o resultado.

 

Etapas para a transfusão

Quando alguma instituição solicita sangue para a realização de uma transfusão, todos os dados do paciente são coletados. A quantidade de transfusões necessárias e sua periodicidade também são informadas.

As amostras selecionadas para o procedimento são, então, identificadas de forma personalizada para o paciente a qual se destina, além das do coletor responsável. As bolsas são transportadas até um laboratório de seleção pré transfusional, que checará todas as informações etiquetadas.

Estas informações são carregadas no sistema, a fim de que uma determinada amostra de hemocomponente seja apenas liberada para o paciente a qual está destinada. Então, o paciente passa por exames para identificação de anticorpos que possam causar alguma reação durante ou após a transfusão.

 

Etapas finais

As bolsas são então enviadas para o setor de expedição, onde permanecem até serem solicitadas para a transfusão. Qualquer tipo de procedimento especial necessário, de acordo com as necessidades de quem necessita a transfusão, será realizado.

Uma vez soliticitada a transfusão, a enfermagem checa a disponibilidade do hemocomponente junto ao setor de expedição. É realizada, então, nova verificação das informações etiquetadas e da soliticação. As bolsas são transportadas em caixas adequadas até o ambulatório ou sala de transfusão e os dados do paciente são conferidos uma última vez. Estes dados são então comparados com os etiquetados (nome, tipo sanguíneo e matrícula), além de seus sinais vitais. Caso haja necessidade, é realizada pré-medicação.

Os primeiros 15 minutos devem ser acompanhados de perto pelo profissional que realizou a instalação dos hemocomponentes. Cajo haja qualquer reação à transfusão neste período, considerado crítico, este profissional pode intervir imediatamente.

Após a transfusão, são realizadas novas checagens de sinais vitais do transfundido, que após um período de observação de aproximadamente meia hora, pode receber autorização para ser liberado.

É importante estar a par dos riscos e dos procedimentos por trás de uma transfusão de sangue, mas não há motivo para medo. Novas diretrizes de segurança são encaminhadas pelo Ministério da Saúde aos hemocentros e hospitais quase anualmente, e qualquer dúvida pode ser rapidamente esclarecida por profissionais qualificados.

 

Fonte: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE HEMATOLOGIA, HEMOTERAPIA E TERAPIA CELULAR. Segurança Transfusional. Disponível em <http://www.abhh.org.br>. Acesso em 27 de dez. 2017.

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