Remédios controlados e doação de sangue

Remédios controlados e doação de sangue;

Remédios controlados e doação de sangue

Todos os anos, milhares de pessoas deixam de doar sangue por conta da falta de informações sobre restrições temporárias ou permanentes. Um dos tópicos mais recorrentes é a relação entre remédios controlados e doação de sangue. Não existe uma lista precisa que diga que um ou outro medicamento específico inviabilize a doação, mas alguns grupos de medicamentos em geral tornam necessária uma atenção especial.

Vários órgãos oficiais disponibilizam orientações gerais sobre o assunto, mas é comum encontrar partes desconexas entre elas. Pensando nisso, realizamos um pequeno levantamento sobre medicamentos que oferecem algum tipo de restrição para quem quer doar sangue. A lista abaixo foi elaborada a partir de uma resolução da Anvisa, e de dados coletados na página oficial do Hemominas.

 

Remédios controlados e doação de sangue

Não são apenas remédios controlados que requerem atenção na hora da doação. Em outros casos, como com anti-inflamatórios e corticóides, também é importante observar um período sem doar sangue. Para facilitar a busca por um grupo específico de medicamentos, nós os separamos pelos tipos de doenças para os quais são indicados.

 

Doenças cardíacas e pressão arterial:

  • Anti-hipertensivos: Varia a cada caso. O triagista deve ser consultado.
  • Vasodilatadores: 48 horas após a suspensão do tratamento.
  • Anti-arritmicos: Não podem ser realizadas doações durante o tratamento.
  • Anticoagulantes: 10 dias após a última ingestão do medicamento.
  • Betabloqueadores: 48 horas após a suspensão do tratamento.
  • Bloqueadores alfaadrenérgicos: 48 horas após a suspensão do tratamento.

 

Transtornos psicológicos ou do sistema nervoso central:

  • Antidepressivos: Apenas os medicamentos de classe tricíclicos inviabilizam a doação, por um período de 30 dias após a suspensão do tratamento.
  • Antipsicóticos: Sete dias após a suspensão do tratamento. Entretanto, a condição que gerou a necessidade do uso da medicação pode impedir a doação.
  • Ansiolíticos/soníferos: Apenas em casos onde a dose é elevada (3 ou mais comprimidos) deve se observar um período de espera de pelo menos 24 horas, de acordo com orientações do triagista.
  • Anticonvulsionantes: Não podem ser realizadas doações durante o tratamento.

 

Tratamentos recorrentes:

  • Antibióticos: Varia de acordo com a com a vida média da droga no organismo. Porém, o período mínimo de espera antes de doar sangue é de 14 dias após o fim do tratamento.
  • Analgésicos: Embora analgésicos de uso comum (como dipirona ou paracetamol) não impeçam a doação, é indicado que se observe um período de 24 horas após a ingestão da última dose. Além disso, o triagista irá avaliar os sintomas que levaram o (a) doador (a) a fazer uso da medicação, e estes sim podem impedir a coleta de sangue.
  • Anti-inflamatórios: Depende do anti-inflamatório. Em qualquer caso, inviabiliza a doação de plaquetas por cinco dias, além de ser recomendado aguardar 48 horas para doar sangue.
  • Corticóides: Recomenda-se a espera de 48 horas após o fim do tratamento.

 

Hormônios:

  • Insulina: Inaptidão definitiva.
  • Hormônio do crescimento hipofisário: Inaptidão definitiva.
  • Testosterona: A doação de sangue neste caso só é permitida seis meses após o fim do tratamento.
  • Hormônios femininos: Não inviabiliza a doação, exceto quanto em uso para o tratamento contra o câncer.
  • Antitireoidianos de síntese: Varia de acordo com o caso. O triagista deve ser consultado.

 

Outras doenças:

  • Quimioterápicos: Varia de acordo com a com a vida média da droga no organismo.
  • Acitretina: Inaptidão definitiva.
  • Isotretinoina: Um mês de inaptidão após a ingestão da última dose.

 

Tratamentos alternativos:

  • Homeopáticos: 24 horas de inaptidão, dependendo dos sintomas que levaram ao tratamento.
  • Fitoterápicos: 24 horas de inaptidão, dependendo dos sintomas que levaram ao tratamento.
  • Anorexígenos: 7 dias após a última ingestão do medicamento.
  • Finasterida: Um mês após a ingestão da última dose.

 

Caso você faça uso de alguma das medicações desta lista que oferecem impedimento permanente, procure seu (a) médico (a) e converse com os (as) profissionais do hemocentro onde deseja realizar sua doação. Além disso, existem também os medicamentos alergênicos, ou seja, cujo uso pode causar algum tipo de alergia. Nestes casos, também é importante informar o hemocentro.

 

Fontes:

  1. BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE, AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução da Diretoria Colegiada – RDC n. 153, de 14 de junho de 2004. Determina o Regulamento Técnico para os procedimentos hemoterápicos, incluindo a coleta, o processamento, a testagem, o armazenamento, o transporte, o controle de qualidade e o uso humano de sangue, e seus componentes, obtidos do sangue venoso, do cordão umbilical, da placenta e da medula óssea. Brasília, DF: Agência Nacional de Vigilância Sanitária; 2004. Disponível em <http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/4bc8428047457945865fd63fbc4c6735/rdc_153.pdf?MOD=AJPERES>. Acesso em: 01 mar. 2018.
  2. HEMOMINAS. Uso de medicamentos. Disponível em <http://www.hemominas.mg.gov.br/49-doacao/doacao-de-sangue/820-uso-de-medicamentos>. Acesso em: 01 mar. 2018.

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